quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

AMIGOS DE NAMPULA e NACALA (da minha infância)









Quem se lembra destas caras lindas do BNU-Nampula, na despedida do Gerente Celso Paiva, em 1972?
Começando pelo lado Esquerdo em pé:
Ivone Rente Coleho; Liliete; Ondina G.Carvalho; Guida Dias; Graça Abrantes; Linda; Ivone Machado; Ivone Campos; Mª dos Prazeres; Elisa Baptista; Marília; esposa de Carlos Andrade; ?? ; filha do Dr. Casimiro; Elisa Pinto (eu).
em baixo: Marinela; Ana Maria; Zita Santana; Irene Barriga.
.................................................
Depois de eu ter organizado o encontro dos amigos estudantes de Nampula, pensei começar a procurar os colegas do B.N.U. Nacala e Nampula. Consegui “reencontrar” a maioria através dum colega que esteve no Serviço de Pessoal do Banco em Lourenço Marques ( o Furtado) e que tinha a listagens dos nomes e grande parte das moradas. ”Uma riqueza”…
Marquei o encontro para o dia 28 de Março de 2oo9 e esteve para não se realizar por haver poucas inscrições até uns 15 dias antes. Houve quem me desse “uma força” para não desistir e realmente achei que valeu a pena. Os que vieram foi porque eram realmente meus amigos:
Ana Martelo; Carqueijeiro (Tóbé); Euclides Guerra; Fernando Figueiredo; Guedes Costa; João P. Oliveira; José Morais; Manuela Ferrão; Maria Conceição; (Concha); Maria Prazeres; Mugeiro; Pereira Baptista; Pires Claro; Rocho de Almeida; Rosa Alves; Santana Fernandes; Resende; Teresa Magalhães.
Houve como sempre, pessoas que não se viam desde aqueles “belos tempos”…só por isto já tinha valido a pena este encontro.
Foi uma tarde bem passada onde teve programa cultural (o Coral Cantábilis a que pertenço, encantou-nos, com alguns momentos musicais muito agradáveis).
Fiz as minhas quadras para cantar o “Pingó” para animar e foi uma alegria que os presentes pediram para se repetir.
Ficam aqui algumas dessas quadras para recordar...:
Esteve este convívio
A ser "morto" á nascença
Foi preciso confiar
Contando com a vossa presença

Já que a Elisa quis sonhar
E este encontro fazer
Anos para vos encontrar
E podermos "reviver"

África, como é bom lembrar
E a boa camaradagem
Com histórias de encantar
Trazidas nesta "viagem"...

Ainda hoje recordo
Quem foi que me entusiasmou
O Gerente Celso Paiva
Em bancária, me tornou.

Em Nacala, muitos "passaram"
Vinham pelas promoções
Os de lá para trás ficavam
Ficando com as "ilusões"...

Vou aqui fazer memória
Dum encontro pontual
Quando apareceu em Leiria
Um Director Regional

O Fernando Figueiredo
Que disse á então Gerência
Que me colocassem no "estrangeiro"
Que eu tinha competência...

O "sector" é para os de cá
"Retornados", nem pensar
Tivessem ficado lá...
Para não "prejudicar"...
Depois disto pensei:
Só falta mesmo "redescobir" os meus amiguinhos de infância de Nacala. Já lá vão mais de 50 ANOS, será muito difícil realizar este sonho, pensei!
Encontrar principalmente os "amiguinhos da Escola Primária", conforme foto abaixo:

Mas… como não sou mulher para desistir, tive a felicidade de este ano , ir ao encontro de estudantes de Nampula, que se realizou em Mira no dia 25 de Abril.
A amiga Dalila Ferreira (que era de Nacala também), chamou-me e disse-me que andava lá uma pessoa com uma foto na mão a perguntar se havia alguém no encontro, de Nacala, para saber se conheciam alguma pessoa daquela foto??-
Quando me aproximei e vi a foto (a mesma que eu tenho com os alunos e Professora de Noronha no Ano de 1955/56) e olhei para o crachá que ele tinha ao peito: “Ferrer”- nem queria acreditar, que estava ali um antigo aluno da Escola Primária de Nacala. Abraçámo-nos e logo o conduzi a outra pessoa que lá estava e era daquele tempo: a Isabel Carmo Almeida. Os dois abraçados, choraram de alegria e emoção.
Perguntei –lhe se sabia de mais alguém ao que me respondeu que apenas sabia que o Genito (Eugénio Cortez), era advogado em Lisboa. Para mim já era muito. Através de uma amiga advogada e com o nome completo, através da ordem de Advogados, lá chegaria. E assim foi.
Nem sei o tempo que estivemos ao telefone quando lhe liguei…
-“como me descobriste”?!foi a pergunta fatal.
Por ele logo soube da irmã e mais outro amigo e por um se chega a outro e mais outro e cá vou eu organizar mais um encontro de amigos “MACUAS”…
Andamos todos “eufóricos” com o reencontro que esperamos seja muito bom.
Tenho muita pena que ninguém saiba do paradeiro das minhas amiguinhas Isabel Vasconcelos (filha do piloto da barra de Fernão Veloso) e Lurdes Santos mais conhecida por Milú Patalica que dizem ter emigrado para a África do Sul (quem sabe se um dia as voltarei a vêr...)
Esta era a Milú que conheci:
















A Professora D. Madalena
e algumas das meninas em 1957.
A fundo a Sara Abreu.
A 1ª é a Belita Cortês. Quem são as outras???
(quem souber p.f. pode-me dizer??)
Finalmente chegou o dia “D”.
O dia tão esperado por todos nós que já nem se conheciam.

Como foi bom!

A Belinha Estorninho, por exemplo.
Estava eu em frente às Piscinas Municipais, (onde combinei o encontro) para quem quisesse,fazer um pequeno passeio pela baixa de Leiria junto ao Rio Lis.

Eu tinha um chapéu branco na cabeça e o Sol estava abrasador (cerca de 31º). Parou um carro e alguém saiu de dentro que me disse a sorrir: “Sou eu sou”.
Reconhecia e abraçámo-nos de emoção mas, ao mesmo tempo rindo com muita alegria. A filha mais velha que veio com ela disse-me:
"Só poderia ser a Elisa, com ar feliz e de chapéu na cabeça, como uma Africana"!

Que delícia de comentário…

O dia estava muito quente.e abafado. No Restaurante “ O Casarão, na Azoia”, os que iam chegando, ninguém pensava nos aperitivos que tinham à frente debaixo das sombras das árvores e de um lindo jardim. As emoções eram muito fortes. O “recordar” tempos idos e olhar para aquelas caras um pouco desconhecidas?! que algumas só recordamos da nossa menenice, mas que ao mesmo tempo pareciam que nunca tinham deixado de existir nas nossas vidas...

A Sara Abreu e a Belita Cortês com a minha irmã Mabilia, que tinham sido muito amigas em crianças, não deixavam de falar, falar... , recordando as brincadeiras de infância. Havia que reatar o tempo perdido...

Como gosto de fazer as minhas “surpresas”, preparei para depois do nosso repasto, um Photostory com as fotos de infância que tinha, com música Moçambicana, que a todos comoveu. Depois foi a vez de eu cantar as minhas quadras e ler um bonito poema Africano, alusivo a Angola, mas que eu adaptei para um Poema Moçambicano ...

Houve fotos, risos, alegria e muita “música tropical”, que levei para recordar.

Também houve momentos de alguma lágrima “escondida” que teimava em aparecer, quando a dada altura o amigo Genito e a Isabel Almeida, pediram a palavra.
Ele recordando a infância, disse coisas “lindas” que me emocionaram, e porque algumas são um elogio não devo aqui transcrever ( também lembrou que foi o meu pai quem construiu a 1ª Escola Primária de Nacala em 1953). A Isabel referiu sobretudo ;"toda a família Oliveira", mas que os meus pais sempre foram amigos de todos (recebiam em casa tanto o "Sr.Engenheiro", como o “simples operário”). Que o meu pai era transmissor de valores e de união entre a Família. Que prezava muito a nossa amizade."
E terminou depois com um elogio ao meu marido que muito apreciei:

- "O Pinto é o homem da retaguarda, que ajuda na sombra".
- E finalizou desta forma:
- "Atrás duma grande mulher está sempre um grande homem"!
E é bem verdade...
- Sem ele, eu não seria a mesma Elisa”!














- Agradeço a Deus este momento que proporcionei a todos que puderam vir.
O Carlos Ferrer que mora em Espinho, ficou de dar continuidade a este 1º grande acontecimento.
E vou deixar abaixo, o poema adaptado e algumas quadras feitas que cantei, para recordar…

POEMA MOÇAMBICANO
(adaptação de um poema Africano)

Quando te disse,
Que era da terra selvagem
Do céu azul a brilhar

Das belas praias morenas…
Das chuvas torrenciais

Do pôr de sol avermelhado
De madrugadas serenas...

Das palhotas e moleques
E dos morros de “muchém”, “
Das "picadas" com poeiras

E mandioca também…


De embondeiros e goiabeiras
Das plantações de tabaco
Das árvores de mangueiras

E kilómetros de mato

Do preto de pé descalço
De andar descontraído
Passeando, ouvindo rádio
Nas tardes de sol caído...

Ao fim de semana, usando
Capulanas de mil cores
Nos "batuques" as "mwtiyanas"
Dançando para seus amores

Da "maçaroca" e cana doce
Da papaia e do cajú
Tu sorriste e sussurraste:
"Sou da mesma terra que tu"!

A "grande surpresa e revelação" foi o Genito Cortez tocar tão bem viola.
Aqui está a acompanhar as manas Oliveira, numa canção dedicada a Nacala.

E as quadras feitas para esta ocasião:.
África é bom lembrar
E a sã camaradagem
Vamos então recordar
Que fazia a "miudagem"...

Depois da Escola corriam
Para casa ou para o mato
Caju e mangas comiam
Sem fazerem desacatos
Ao berlinde se jogava
Cabra cega ou paulito
Mas o que mais se gostava
Era a praia, num mergulhito

Lembramos as "maçanitas"
O jimbalau e embomdeiros
Aquelas tão pequenitas
Estes maiores que os pinheiros

Também uma vez por mês
De "lancha/gasolina" ir viajar
Até a Nacala-a-Velha
Para as "quinhentas" se gastar...

Hoje estamos "cocuanas"
Ainda "maningue chunguilas"
E continuamos "bacanas"
Pois prezamos os amigos.

Kanimambo, meus amigos
Como foi bom recordar
Outros tempos, tão antigos
Que foram para não voltar...
Como as senhoras são muito "vaidosas", quiseram tirar uma foto sem os homens (estão bem felizes, podem crer.)
O grupo que se reuniu passados mais de 50 anos...
São eles:
-Isabel C.Almeida, Suzete Monteiro, Elisa Oliveira; Mabília Oliveira, Isabel Estorninho, Anabela Cortez, Carlos Ferrer, Sara Abreu, Eugénio Cortez, João Meireles e Alice Rosa.

Acima ficaram registadas em fotos, diversos momentos do nosso convívio.
Aqui em baixo fica o vídeo com as fotos da Infância, feito para a ocasião...
video

sábado, 7 de Março de 2009

APÓS A REFORMA - PROJECTO TECLAR

Gostaria agora de falar de outra faceta da minha vida.
Sempre gostei de estudar- o meu pai dizia, que se deve aprender até morrer. Após a reforma, inscrevi-me na Academia de Cultura, em várias disciplinas.Em finais do ano escolar de 2006, uma professora, falou-me num projecto que andava a decorrer havia já um ano na E.S.E.L (Escola Superior de Educação de Leiria) e que iria reiniciar em Setembro de 2006. Chamava-se PROJECTO TECLAR - ensinar e aprender entre gerações com tecnologias, tendo a interacção de uma Escola Primária (alunos do 4º ano). Isso entusiasmou-me muito e em Setembro desse ano fui com o meu marido ao primeiro dia de aulas e ficámos. A professora Joana Viana, criadora do Projecto, era uma jovem muito simpática que logo nos acolheu muito bem. Já tinham um Blog. (projectoteclar.blogspot.com) onde todos participavam e que achámos "muito rico". Iríamos aprender também a fazer um Blog e a inserir imagens.
Por isso aqui estou num Blog próprio que comecei em Maio de 2007.
No Projecto daquele ano entrava a Escola Paulo VI (com a professora Conceição Silveirinha) e o projecto :
estudar as 7 Maravilhas de Portugal" (a serem votadas em Junho 2007). Os alunos e os mais idosos foram "divididos" em grupos. O meu grupo estudou "O Convento de Cristo em Tomar"e entre as alunos acabei por me"prender" á Jéssica (pois senti que ela precisava muito de carinho e compreensão). O ambiente na sala era óptimo e começou a criar-se uma relação muito boa entre todos os colegas.

No Ano lectivo de 2007/08, o Projecto abrangeu a Escola B da Cruz da Areia , Turma 4D (com a professora Conceição Coelho e mais três estagiárias). O estudo foi : A Carta da Terra- Agenda XXI- Aqui as crianças eram tratadas pelos "mais pequenos" e nós "Os mais crescidos".O meu grupo composto pelo "crescido" Carlos Curado e os "pequenos" :António Rola; Francisco Miguel; João Miguel; e João Vitor. Tema: "PROTECTORES DA NATUREZA- animais em via de extinção (o lince, o falcão, o urso polar e a lontra). Decidimos que iríamos apresentar este trabalho em PowerPoint. Assim, era mais uma coisa que eu gostava de aprender e que teria mesmo de o fazer. Os trabalhos foram apresentados na própria Escola, no dia 23 de Fevereiro 2008, com os pais dos alunos, familiares e amigos e esteve muito bem nas suas diversas vertentes: Blog, P.Point, criação de um livro e dramatização. Foi uma grande festa que terminou com um lanche e muita alegria.. Nesta ligação, criaram-se amizades e todos sentem já "saudades " deste Projecto que irá terminar no mês de Maio p.f. Como foi "gratificante" ter entrado neste audacioso Projecto da Joana, que é uma ternura a ensinar esta "geração dos que sendo reformados, querem aprender as novas tecnologias..."Aqui deixo as quadras que fiz , para o encerramento da interacção com a Escola:
Mais novos e mais crescidos
Juntaram as suas mãos

Num projecto bem unidos
Cantando a mesma canção...

Proteger o ambiente
E também a Natureza
Vamos ficar tão contentes
Disso eu tenho a certeza.
A Terra vamos amar
E os animais, também
Da água vamos cuidar
Para nosso próprio bem


Projecto da Cruz da Areia
E do "nosso" TECLAR
Projecto bem "á maneira"
Que nos pôs, a trabalhar...

JOANA, muito obrigada
E à Professora SÃO
Sereis por nós recordadas
Do fundo do coração!

Agora a terminar
Dizer com muita emoção
Foi bom convosco estar
Num projecto em UNIÃO!

O Ano Escolar 2008/2009 na ESEL, começou com um "novo projecto".
Os antigos alunos, que aderissem, teriam aulas ás Quartas-Feiras de manhã, e na parte de tarde seriam "colaboradores" com a Professora Joana numa turma para iniciados (os caloiros do 60+), neste mesmo projecto de "aprendizagem das novas Tecnologias". A nossa turma seria dividida em grupos de 3 e assim não seria preciso irmos todos ás quartas feiras de tarde.
No inicio do Ano Escolar, fiz umas quadras para cantar que aqui deixo como recordação:
(Com música do "Pingó"):"

Como gosta de cantar
E também de fazer rimas
A Elisa vai começar
Com o "Pingó" e as cantigas

Mais um ano a passar
Por isso quero dizer
Bom, é o nosso Teclar
E o podermos aprender

Ter espírito "aberto"
Viver com muita alegria
E ter amigos por perto
Assim se faz a "magia"

60+, quem diria
Andarmos ainda a aprender
As novas Tecnologias
Para não "envelhecer"...

Aproveitar a Reforma
Em actividades diferentes
Podermos estar "em forma"
E sentirmo-nos contentes...

Este é um "grupo unido"
E muito trabalhador
Que por lema temos tido
A mensagem do Amor
Com o apoio da Joana
Podem contar com certeza
E no final deste ano
Direis que valeu a pena!

Também iríamos começar uma nova experiência,já que desta vez sería com crianças do 1ºD (antiga 1ª classe) ou seja, os mais pequeninos que estão a começar a aprende a ler e escrever, também na mesma Escola do Ano anterior ( Cruz da Areia).
De inicio iremos contar-lhes "lenga-lengas, fazer rimas, e adivinhas". Posteriormente em grupos, iremos reinventar uma história partindo do tema:

"As histórias que por aqui passam... As histórias que são nossas"!
E aqui fica o "grupo" que comigo vai "trabalhar"...
+crescidos: Graciete, Ilídio; Elisa.-+ pequenos: Ana Carolina, Mª João e João Miguel.

O Meu Grupo decidiu chamar-se "OS FOFINHOS"...
Depois de termos criado a história "UM DIA PASSADO NA FLORESTA", decidimos fazê-lo em Photostory com imagens da Internet, desenhos feitos pelas crianças e gravação das vozes de todos nós.
Hoje dia 30 de Maio de 2009, foi o "GRANDE DIA" :
Fez-se a apresentação de todos os trabalhos dos seguintes grupos:

"Maravilha"; "O Céu"; "Os Palhaços"; Os Fofinhos"; "Os Golfinhos" e por fim o "Nemo".
Estiveram presentes também os alunos antigos do 4 D da C.Areia, (agora na quinta Classe) que nos quiseram fazer suspresa e "matar saudades".

Fiz umas quadras para cantar que aqui ficam de recordação:

Os "Mais Pequenos" decidiram
Fazer-nos uma homenagem
Então nós "Os mais crescidos"
Vamos fazer a reportagem...

Sempre que eles nos vêm
Vêm-nos cumprimentar
Pois que nunca esqueceram
Os tempos do Teclar

Agora já mais crescidos
E bons alunos também
Que sejam sempre amigos
Pois a amizade é um bem

Este ano nós estamos
Com "os mais novos" da Escola
A todos vos convidamos
Para os saudar agora

Sabei que já aprenderam
A escrever e a ler
Todos juntos convivemos
Gostámos de os conhecer...

Para as "nossas Professoras"
E todos os amiguinhos
Daqui vos mando um abraço
E também muitos beijinhos...

Aqui fica a fotografia tirada no último dia de aulas (20/05/09)com o nosso grupo, no jardim da ESECSL- Leiria.

24 de Junho de 2009:
E para terminar a informação do TECLAR, direi com muita pena, mas... acabou!
Claro que tudo tem um fim.Também o nosso TECLAR, terminou definitivamente. Embora muito tristes, a Professora Joana despediu-se dizendo que foi muito bom, que todos tínhamos aprendido e criado relação. Para não "desistirmos" de nos encontrar, de comemorar, mas que o Projecto ía mesmo acabar. Ela com o "Mestrado" a acabar, irá começar com o Doutoramento e outras etapas da vida irão acontecer certamente.
O que lhe podemos desejar é que tenha boa sorte, pois sentimos que foi mesmo muito bom para todos os que a conheceram e trabalharam neste "belo projecto", como eu sempre disse.
Esta a é a foto que tirámos no encerramento do Ano lectivo e do Projecto (24/06/09).

sábado, 23 de Fevereiro de 2008

FINALMENTE O REGRESSO A MOÇAMBIQUE

Durante anos andei a "sonhar" o dia em que podesse voltar a visitar aquela que considero a "minha terra"- Nacala. Eu amava aquela terra, aquela gente que tinha sido tão "enganada", como eu. O "macua", é um povo simples, pacato e amigo.
Todos os anos fazia um PPR. Eu dizia que era para um dia poder ir a Moçambique. Sabia que só receberia essa poupança aos 60 anos, mas também Moçambique andava em guerra na altura (Frelimo contra a Renamo).
Só tinha que ter Esperança e aguardar.

Finalmente vi o meu sonho realizado.Quando fiz os 60 anos, preparámos tudo para o embarque. No dia 16 de Novembro de 2005 foi o grande dia. Com mais dois casais amigos de Nampula , um deles (João Rebelo), antigo colega da EIC e vizinho do Bairro Muala, onde vivi.Não queriamos ir sózinhos, após tantos anos de ausência, além de podermos partilhar despesas, contactos e alegrias. Eu e marido ficámos nas Missionárias Combonianas de Nampula e de Nacala, congregação que desde sempre estivémos ligados e continuamos a ajudar. Lá sentir-nos-íamos em família.

Os nossos amigos contactaram alguns amigos antigos e lá nos esperavam no dia 17 de Novembro, no aeroporto com os seus jeeps, o Benjamim Redolfo (Africano) e a Maria José, casada com o José Baptista, que nunca tinham vindo para Portugal. Que grande surpresa!
Nessa noite, eu e o João, não conseguimos dormir de tanta emoção. A Maria José tinha ido mostrar-nos a "nova Nampula", antes de nos conduzir á casa das Irmãs. As Missionárias Combonianas, moram um pouco distantes da cidade, no Bairro de S.José, perto do Matadouro. O barulho das árvores, o calor ( mais de 30º), tudo ajudou. Quando ás 4h da manhã o sono estava a "vencer-nos", começou, o chilreal dos passarinhos e o dia a amanhecer. Levantámo-nos e lembrámo-nos dos belos tempos - ver o nascer do Sol, sentir a aragem fresca da manhã, ver a vida a "palpitar."
Depois do "mata-bicho", muito simples, mas onde não faltou a saborosa papaia, a banana maçã e as deliciosas mangas, fomos ter com os n/amigos hospedados numa residencial perto do Clube Ferroviário, para irmos passear e vêr uma Nampula "diferente", com muita "garotada" a tentar vender as "suas artes" e o pau-preto, de que aquele Povo é mesmo artista! O comércio estava práticamente todo nas mãos dos "monhés", como nós dizíamos, ou seja os asiáticos.

Uma pequena informação histórica sobre a bela e imponente Catedral:
A Catedral Nª Srª de Fátima, foi a 1ª Catedral do mundo dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Foi sagrada no dia 23/08/1956, pelo Cardeal D.Teodósio. Quando em 1984 a guerra atingiu a provìncia de Nampula, iniciou-se na Catedral, às Sextas-feiras, a celebração da Paz. (era Bispo de então, D.Manuel Vieira Pinto). Quando em 1992 foi assinado o Acordo de Paz passou a denominar-se também "Mãe da Paz."

Tínhamos sido recomendados pelos amigos para não comprarmos nada na rua, porque poderiam "roubar-nos" a carteira, o telemóvel (que eles tanto gostam), etc. Mas quando nos encontrávamos com "africanos" antigos, mais velhos, mesmo desconhecidos, tratavam-nos com todo o respeito e amizade. Perguntavam se era a 1ª vez que lá íamos e diziam : "são Portugueses", não são Estrangeiros! Muito interessante!

No dia 18 apanhámos "boleia" de mais um "dos antigos", o Luis Correia Mendes que estava em cooperação por parte da C.G.D. no B.C.F. Levou-nos até Nacala.
Esta linda acácia fica na rotunda da estrada
que vai de Nacala a Nacala-velha

E esta é a praia de Nacala-a-Velha




Aqui um prédio que

era do meu pai...



Aqui em baixo a casa que era nossa...
A Missão ficava no mato, pois é um empreendimento novo- uma Escola de Formação Feminina muito boa, como só os Missionários sabem ter. Apenas com quatro freiras, 3 professoras e uma enfermeira, de várias Nacionalidades, gerem uma Escola a sério que vai desde o 5º Ano até ao 12º e com internamento das meninas que moram fora de Nacala.
No Domingo dia 19 fomos à Missa (antiga Igreja Nsª Srª da Boa Viagem), agora a CATED onde casámos e íamos fazer já 40 anos de casados. O Pároco quando soube quiz que no final déssemos o nosso testemunho de "longa vida de casal"...
A Eucaristia foi, como são em África, muito vividas, com muitos cânticos, acompanhados de tambores. Chorei de emoção! A Catedral estava repleta de gente, novos, velhos, crianças que rezavam, cantavam e batiam palmas. Acólitos, anciãos e mulheres com capulanas garridas e bonitas. Uma maestrina no coro. Tudo estava organizado. Agradeci a Deus aquele momento. Como era bom estar ali!!!
Depois da Missa, fomos passar o dia com um antigo amigo (europeu) o João Martins, na bela praia de Fernão Veloso. (Conforme foto abaixo) Tem agora um novo e bonito empreendimento).
Foi interessante que na praia e quando andámos a passear pela cidade, alguns africanos se nos dirigiram a dizer " com que então, 40 anos de casados?" (Tinham estado na missa).
Como não tínhamos "transporte próprio", chegámos também a andar de "chapa", nome dado a uma carrinha de 9 lugares ( que levavam mais de 10 pessoas). Quando nos viram a andar a pé, pararam e mesmo cheia, sentaram-se no chão e cederam-nos dois lugarres.

O custo era de 50 "contos", (como eles diziam), ou seja: 50 .000 Meticais (não chegava a €-2,00). Fomos também visitar um antigo continuo do BNU, o Xavier, que era agora "apontador" duma firma. A alegria foi enorme quando nos reconheceu: abraçámo-nos e agradeceu o termos ido visitá-lo (foi uma honra, disse-nos). E foi visitar-nos no dia seguinte. Contou-nos "coisas incríveis" que se passaram quando todo o pessoal "cooperante" veio embora e só ficaram eles. Os "problemas" com o antigo "pessoal menor" (sem qualificações) como ele, passaram á "carteira" mas que ... nada ou pouco sabiam de Banco. Os "roubos e as falcatruas", começaram. Quando eram descobertos, eram despedidos.

Em Nampula, por exemplo, encontrámos um antigo colega do B.N.U., que eu tinha preparado para me substituir e agora era gerente doutro Banco. Este, pessoa responsável e inteligente, que nos disse:
"O pessoal do BNU sabia ensinar, era exigente, mesmo que houvesse um centavo de diferença não se fechava o dia sem se descobrir onde era o erro. Aprendi muito convosco! "

Mas quando falámos sobre as nossas casas, indústrias, etc, disse-nos:
"Nós nem seque soubemos conservar o que nos deixaram"!...
Passámos ainda 4 dias no Maputo, onde encontrámos um amigo "doutros tempos de estudantes", o Manuel C. Viola, que nos recebeu "5 estrelas"! Visitámos tudo o que pudémos (velho e novo, pois já novas construções). Tentei depois "descobrir"duas antigas colegas do BNU- Lee Choi , que soube que vivia no Maputo e a Felizarda Castilho, que agora trabalhava em Inhambane e fazia rádio. Depois de uns telefonemas para colher informações, e marcar os "encontros", passámos um dia bem divertido, todas juntas, recordando "outros tempos"...
E no dia 30 de Dezembro, como não podia deixar de ser e para despedida, fomos jantar (apenas marisco) com os amigos Manuel Viola e Zé Avelar, ao antigo Restaurante na maravilhosa Costa do Sol.


















KANIMANBO AMIGOS!

Foram dias "maravilhosos" que jamais esqueceremos...
Finalizando poderei dizer:

O Saldo foi positivo.
Valeu a pena e desejo tudo de bom para aquele País, que começa a desenvolver-se e a ser reconstuido.

Quem sabe se um dia voltarei!!!????

Lá que gostar, gostava:....

sábado, 26 de Maio de 2007

Anos 1953/54 LUMBO e 1955/57 - NACALA

Clube Ferroviário do:
LUMBO: 1953/54
(
sou a 2ª
do lado direito; a 1ª é a Mabília;

a 3ª é a Elisabete Dias)
a 6ª. é a Natália Oliveira)

No Lumbo - 1953
1ª comunhão da Elisa ( a 2ª)
(O Celebrante é o P.e António Vieira,
o mesmo que me casou)
Alunos da Escola
Primária de
Nacala :1955/1956
Nomes que recordo...
Da Esq. p/direita -
Em cima:
Isabel Vasconcelos; Mabília; Elisa; Alice Rosa; Bébé Cabral; Eduarda; (Professora , de Noronha) Fernando Seabra; Eugénio Cortez (Genito); Victor Fernandes; José Antº Cristo Patacola e Toninho Cabral-
(falecido em Julho 2007)
Em baixo:
Isabel Estorninho (Belinha); Ana Maria Rodrigues;
Anabela Cortez; ?--; João Meireles; Guto Cabral;
? e Carlos Ferrer

10 de Junho -1957
(Elisa a cantar: "La violetera")
Em baixo:
Suzete Monteiro e Ana Maria ?
(a oferecer violetas)

Marcha da E.I.C. de 26/4/1959
(Esq/Dirtª: Antonieta Dias; Lila Maria; São Gomes; Elisa Oliveira; Edite Almeida e Natália Oliveira)
1960 "banda da Escola em: "Kanimambo"
Vocalistas: Adelaide, Armanda e Elisa

1962- Parque Felgueiras e Sousa
Nampula
m/sobrinha Bela; Elisa;

Elisabete; Mª José e Mª José Freitas
Praia de Fernão Veloso ( 1962)
Da Esqª. para ditª :
Alberto A. Silva, Agostinho; Eugénio Oliveira; Isabel Almeida; Elisa, João Pinto, meu pai (Álvaro Oliveira) e Madail .
à frente: Manuela Cruz, Mabília, Alice.

No Bairro da Muala- 1963:
Da esq. p/ditª:
João Rebelo; Mª de Jesus; Mª Eduarda (Nita), Mabilia;
Mª José , Lino C.Pereira; Elisa; Elisabete e Madail Mendes.
(sobrinhos do Madail:Rui e Lena e m/ sobrinhas, Bela e São)


Um passeio de "riquechó",
na Ilha de Moçambique
em 1963
(Mª. Jesus, Mª. Rosário e Elisa)
Finalistas E.I.C-Nampula- e Professores - 1963
Esq.Prof.Dr.Martins da Costa,Dr.Morgado,Dr.Barroso, Carvalho,Mª.João, Elisa, Mª.Helena, Natália, Eugénia,Vigínia, Dr.Correia Oliveira, Drª.Etelvina Rivera,Mª.Rosário,Mª.Jesus,Mª.José,Mª.Conceição,
Mª.Fáima, Dr.Quaresma
Em baixo: Assarafali, Givá, Veiga, Rui Cabral, Abel, Vilela, Mussimo, Lacerda, Barbosa, Matos Santos, Souto, Humberto, Virgilio Pina,,Dr.Almeida, e Cabrita.
Esta foi a 1ª casa que o m/pai construiu
em 1959 e... onde residi durante 5 anos, quando casei.
-estou á frente c/a Mabília- a mana mais velha Cidália c/marido Romão estão na entrada da casa, já c/a filha Bela. A Otília e m/ pais estão por trás, na varanda.

Praia da Melala ( conhecida tsmbém pela praia do  "Tonecas".
1969 (Lee Choi Há ( colega do B.N.U.-Nacala), Elisa e ?)







Lado Esqº.
Irmã Modesta (espanhola)
e o Pároco de Nacala, Frei Marcos Vilar

(dominicano).
Lado dtº: irmão João Amado

Nacala- Páscoa de 1976

Da esq. para direita:
Frei Marcos Vilar; Irmã Clarisse das Neves (comboniana);
meus pais; João Amado, irmã Modesta e o catequista.
















A Entrada da minha casa, antes do embarque para Portugal das filhas.
(uma latada de maracujás e ao lado uma papaieira)

Agosto de 1976 







Aqui em baixo, já na Cidade do Lis
Adirecção do Coral do B.N.U- Leiria
(dentro das instalações do Banco)
1992

Carlos Sousa, Elisa Pinto e João Loureiro
Convivio BNU-Leiria- 1993
Esq:traz-Roda, Chau, Martins Pereia, Sismeiro, Casal, Cepa, M.Santos, Leal Rebola, Bernnder, Quintão, Godinho, Rogério, Pascoal,Rodrigues Oliveira, Carreira Alves, Zé Diogo,Viriato, Virgolino.
2ª-Fila: Antº Guarda, Dias Coelho, Victor Rodrigues, Marcelino, Fermin, Alzira, Leonor, Elisa, Fátima, São , Isavel, Alice, Elvira, Teresa, Diamantino, Ascenço,Monteiro,Túlio.
Baixo: Barroqueiro, Chaves, Carlos Sousa e Loureiro.













terça-feira, 22 de Maio de 2007

NACALA - Moçambique

Era uma vez...

Uma menina que era muito "envergonhada", mas que gostava muito de cantar e fazer teatro. Isso serviu-lhe para que na Escola Primária , a aproveitassem para "representações" diversas tais como: teatro, poesia e canções, principalmente no dia 10 de Junho -o dia de Portugal, para ela usar os seus "talentos" e assim ter começado a desinibir-se. Essa menina chama-se: Elisa.

Isto passou-se num lugar muito distante, na costa Oriental da África, num grande País que era Moçambique.

Viveu primeiramente numa terra chamada "LUMBO", que ficava mesmo em frente da Ilha de Moçambique ( 1953/1954). Como o pai era Ferroviário, foi transferido para Nacala Porto., também conhecida pelos naturais como: MAIAIA.
NACALA, tem uma bela baía com o nome de: Fernão Veloso, que fica a uns 12Km da localidade. De águas muito límpidas, onde se vê o fundo do mar é de um azul esverdeado que nos faz "sonhar"...

Vivíamos nessa altura, bem pertinho do mar... apenas uns 400/500 m da praia. Imaginem que maravilha! Depois da Escola... zás, um mergulhinho. Recordo também as vezes que depois da Escola, íamos até ao "mato" apanhar e comer as pequeninas"maçanicas", o caju (fruto ácido que dá a saborosa castanha) , o jimbalau e as boas e saborosas mangas. As deliciosas atas, goiabas e papaias, essas tínhamo-las nos nossos quintais...
(um caju)
Que vida tão feliz e tão descontraída!!!...
Só havia duas Estações do ano e o calor era mesmo abrasador- (transpirava-se o dia todo)...
Tínhamos de tomar o quinino por causa do paludismo e mesmo assim as febres quando vinham eram mesmo muito altas. Eu quando garota, porque tinha a pele muito branca, com o calor, ficava com o corpo todo cheio de umas borbulhinhas chamadas "líquen", que davam muita comichão...
Também não se deveria andar a altas horas da noite pelo mato, já que havia ainda leões que se aproximavam da povoação (e por vezes atacavam alguma palhota).
Nessa altura, a carne que se comia, era apenas de caça e ou galinhas do mato que se compravam aos africanos que vinham vender em "cangarras" ás casas dos europeus. Por isso, normalmente as pessoas tinham criação de animais.
Vou contar um caso que por ser interessante, mais parece "uma história"...
A minha mãe teve sempre muitos animais de criação: coelhos, galinhas, e patos. Um dia decidiu criar também um "leitãozinho". Dizia que era para um dia fazer a "matança" do porco e fazer chouriços, morcelas, prezunto etc. como se fazia em Portugal. O "leitãozinho" foi crescendo vendo os patos atrás da minha mãe, quando ela ía ao quintal dar-lhes de comer. Era de rir quando víamos os patos seguidos dos patinhos e por fim o leitão, seguirem a minha mãe para todo o lado.
Acabou por se feiçoar tanto ao mesmo, que quando o meu pai viu que estava na altura de o matar, até pediu que não o fizesse...
E o nosso "mainato" Abacar, dizia :
-"ei meninas, eu nunca vistes coisa assim, parece que tem chiquembo".
Mas como vivíamos junto ao mar, não nos faltava o saboroso carapau, o peixe serra, as garopas, já para não falar do bom marisco. Fazia-se caril de caranguejo a maior parte dos Domingos e do camarão nem é bom lembrar...

E o que nós comprávamos com apenas uma "quinhenta"!!! Muito dinheiro na altura.
Também é célebre a frase dos "mufanas"a pedir:
- "ei patrão, quinhenta, por favor!"



Recordo ainda hoje os "grandes batuques", onde os Africanos, aos fins de semana, dançavam e cantavam toda a noite, com a sua grande alegria e onde a mulher usava as lindas capulanas cheias de cores vivas.

A vida era calma, alegre e formávamos como que"uma família". Ao Domingo, a pequenada depois da missa, dirigia-se logo pelas 8h00 à Estação dos C.F., para esperar a "automotora" que vinha de Nampula, uma cidade muito bonita e bem delineada que ficava no interior a cerca de 200 km e que trazia pessoas que vinham aproveitar os "banhos de mar". Imaginem que às vezes a automotora atrasava 15 minutos. Isso significava que tinha tido um "furo" num pneu! É verdade... a automotora tinha rodas e pneus.
Na Estação dos C.F.M.-Nacala-1956
(Alice, Natália; ? Ica Cabral, Milu Patalica, Bébé Cabral, Anabela Cortês, Ana Maria, Elisa e Mabília)

A maior parte das vezes ao Domingo o tempo era passado na praia onde se faziam os "pic-niques". No final da tarde, depois da partida da automotora, havia as tardes dançantes no Parrô, (mais tarde o Clube do Ferroviário), que ficava também mesmo em frente ao mar.
Mas...essa menina foi crescendo e queria continuar a estudar. Só que a localidade era tão "pequenina" que só tinha Escola Primária. Assim , depois do exame de admissão à Escola Técnica, teve de ir para a tal cidade distante: Nampula!
Em Setembro de 1957, vai para casa de um casal amigo dos pais e... sente-se muito sozinha e triste. Por princípio só iria a casa uma vez por mês. Chorava muito com saudades da mãe e da irmã mais nova, a Mabília, a quem estava muito ligada, pois as duas mais velhas (a Cidália e a Otília) tinham 8 e 10 anos mais que ela, já namoravam e casariam em breve. O que realmente aconteceu com a Cidália que casou e foi viver para a tal cidade, onde então passou a viver com ela.
Mas... como era "cheia de vida e de alegria", logo pensou arranjar amigos e inseriu-se no grupo de teatro e banda da Escola. Fez muitos amigos por lá até ao final do Curso Comercial, que aqui alguns vai recordar...





Foto no Bairro da Muala



Do Bairro da Muala, onde viveu com a sua irmã: Elisabete Dionísio Dias, João de Sousa Rebelo e a irmã Palmira, Madail Mendes e a irmã Alice, Maria Eduarda Piedade (Nita), depois mais tarde no Curso :Mª Conceição Gomes(São), Mª Rosário Almeida, Mª Jesus Marques Ferreira(Nita), Etelvina Gamito, Mª José Freitas(Zeza), Mª Helena Quaresma e irmã Zita Quaresma , Lila Maria Branco Matos, Mª Fatima T. Baptista (Marifa), Maria João F. Lopes, Eugénia Gomes (Geny), Virginia Dias, Abel Moreira Mateus, Carlos Cabrita, Manuel Vilela, Fernando Lacerda, António Barbosa Santos, João Matos Santos, Henrique Laranjeira Souto, Humberto de Almeida, Assarafali, Nizar R. Jivá, Luis Constantino Veiga, Rui Cabral, Virgílio Comenda de Pina e ainda outros: Hilário Francisco Santana (Xico), Mário Ramos Viegas, João Manuel Taborda, Armindo Vassalo, Vasco Faria Gonçalves, Luis Fonseca Ramos e irmãos: Mª Emília e Xico Ramos , Manuel da Cruz Viola, Alberto Monteiro Leal, Yolanda Botelho, Manuela Cruz, Gabriela Marques (Gaby) , Edite Almeida, Alice Rodriques (Alicinha), Fernanda Beirão, Helder Santos e irmã Ilda, etc. mas, não esquecendo as antigas amigas de infância de Nacala que também foram para Nampula - Mª.Isabel C. Almeida, Natália de Oliveira e Alice Rosa (grandes amigas até aos nossos dias)
Finalistas do ano lectivo: 1962/63
no Clube do Niassa.
Ao fundo e ao centro, vê-se o Governador Civil (Granjo Pires) e esposa, bem como o sub-director da Escola.
A "rainha" de Finalistas foi a Natália Oliveira
O "rei" foi o Rui Cabral.

Esta era a bela cidade de Nampula

Mas... o tempo passou e com ele tudo mudou. A menina tornou-se "mulher", voltou para a sua terra de eleição, onde viviam seus pais, empregou-se, e conheceu um "bonito rapaz" que veio de Lourenço Marques, namorou e...casou
em 1965, na:
Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem de Nacala .
Também Nacala foi crescendo e tornou-se uma cidade bonita, com um grande porto de mar, grandes firmas, Bancos, gasolineiras, Empresas de exportação de caju, de sisal, a fábrica de cimentos, etc. Como ela tivesse visto um bom futuro nos Bancos, decidiu concorrer ao Banco Nacional Ultramarino (lá era o Banco emissor) e deixar os Correios. Teve três filhos e construiu uma casa muito bonita na parte alta da cidade, pois pensava ficar "para sempre" naquela nova cidade.

Mas, afinal... a vida dá "muita volta"!

Dá-se o 25 de Abril de 1974 na Metrópole.
Com a Independência de Moçambique em Junho 1975, começa a "debandada"daquele País. O presidente da Frelimo , Samora Machel, em cada "discurso" que faz..." cheio de ódio"e racismo... enche os aviões e os navios com destino a Portugal. Todos querem ir embora (enquanto é tempo).
São tempos de : vinganças...assaltos, prisões e ... sobretudo, muito medo"! Nos comícios as palavras de ordem eram:

"abaixo o colonialismo, o racismo; o imperialismo". "Fora com o "inimigo do Povo", (ideologia Marxista).
Fazem-se acordos...(os do B.N.U. cooperação com o Banco de Moçambique). Sonhos de que talvez conseguisse lá ficar...

Mas...o Partido da Frelimo, não tinha mesmo interesse em que o Português lá permanecesse.



Os "medos" eram muitos e tudo nos era tirado.Vieram as nacionalizações. Os géneros alimentícios começam a faltar. A insegurança, era total!
Os "cooperantes", não ficaram "imunes". Tivémos como os outros, muitos "problemas". As prisões passaram a ser constantes ao ponto de em 1977 ter de sair uma lei para protecção dos cooperantes. Expulsão do País em 48H se não fosse julgado...
E.. quantos Moçambicanos ensinei no Banco para me substituírem e que vieram "mesmo antes de mim"! Era preciso ser-se "muito forte"...e eu e o marido tentámos sê-lo, por força dos nossos empregos e dos nossos filhos. Se cumpríssemos o contracto, teríamos cá em Portugal, os nossos empregos e poderíamos trazer também os nossos bens!
Também o vocabulário foi alterado em muitas coisas, mas vou deixar aqui um final de cartas/documentos, para "recordar", por ser mesmo de ideologia "marxista".
Terminava-se assim:
" UNIDADE, TRABALHO, VIGILÂNCIA"
A luta continua

Março de 1978. Termino o meu contracto com o Banco de Moçambique e venho para Portugal continental ou Metrópole (como nós lá dizíamos).

Apresento-me na Sede em Lisboa e dão-me três Agências à escolha para trabalhar: S.João Madeira, Sertã e Vila Nova de Ourém. Como não conhecia nenhuma nem família tinha em qualquer destes lados, optei por Ourém por ser perto de Abrantes, a cidade onde vivia agora a minha irmã mais nova, a Mabília. Os meus pais encontravam-se a viver em Vildemoinhos - Viseu com as minhas filhas que tinham vindo com eles em 1976, pois lá o ensino estava " pelas ruas da amargura"... A História que ensinavam agora era da "Frelimo/Revolução", os negros lhes dizerem ."vão para a vossa terra"... (que era lá) ... e terem de fazer também... a "machamba colectiva".
Junho de 1978 vem o meu marido ( que também é bancário do B.P.S.M.). É colocado na cidade de Leiria. Por isso, passado um ano consigo a transferência para esta cidade do Lis, onde passamos a residir, sem no entanto termos cá qualquer familiar ou amigos.

Foram anos de adaptação, sentíamo-nos "desenraizados" e apelidavam-nos de "retornados".
As pessoas "reconheciam-nos" até por certas expressões, que usávamos, desconhecidas aqui. Por exemplo: "Tá-tá"(adeus), a geleira, o maxibombo, o zipe, uma chuingum, uma quinhenta, "suca"(para os cães), maningue, chonguila, marrusse, kanimambo, etc. Foram também anos de "luta", até sermos "reconhecidos" no nosso trabalho.

No entanto quero aqui registar também de que os primeiros amigos que arranjámos nesta cidade, foram quando alguém ligado à Igreja, nos convidou para fazermos parte duma Equipa de C.P.M. (Centros de Preparação para o Matrimónio). A partir daí, nunca mais deixámos esse movimento, que muito nos tem ajudado na vida familiar e de relações. Fomos já responsáveis da Vigararia e há seis anos a esta parte que somos o Casal Responsável Diocesano. Estamos em processo de eleições, pois os Estatutos só permitem dois mandatos. Mas... enquanto podermos, cá estaremos para "ajudar" outros casais, em processo de formação.

Quando em Outubro do ano 2000, entrei na "pré-reforma", (a pedido), porque sempre fui muito ligada à amizade, decidi começar a "procurar e localizar" os antigos colegas e amigos de Nampula. Demorou cerca de dois anos em "pesquisas", para descobrir a maioria e poder organizar um encontro com os alunos da E.I.C. Neutel de Abreu de Nampula, dos 40 anos do Curso Comercial. Aconteceu em 5 de Abril de 2003, num almoço/convívio na Quinta do Paul- Ortigosa -Leiria, onde houve também uma parte "recreativa/cultural" com Fados pela agora Dr.Mª Jesus Marques Ferreira, poemas lidos e cantados por Elisa, (retirados do Livro IKOMA) da autoria da nossa também Doutora Maria Rosário Almeida, quadras alusivas, feitas também por mim, e a participação do Coral a que pertenço (da CGD - ex BNU).
Recordando aqui transcrevo um "enxerto" de alguns poemas da autoria da amiga Doutora Maria do Rosário ,
por mim cantados:
Começava assim:

"Elisa ou é, Elisa ou á... que lindos poemas que tu vais cantar..."


Hi sinhóra, meu mulher fugiste
eu ter que ir nos terra buscar meu mulher
Fugiste có filho, córração chorar
m'empresta musurukhu p´ra mulher buscar.

Macua, macuana um pedaço de sol
pedaço de sol do teu coração.
O sol tão quente menina trigueira
formigas gigantes, morros de muchém
Menina contente, sempre a sorrir
aprender com mulata dançar m'arrabenta."


Logo antigos colegas e amigos, foram-me dizendo para ir pensando em organizar as BODAS DE OURO, da E.I.C. Nampula que seriam daí a dois anos. O João Taborda e a Dalila Ferreira, esta de Nacala (ambos colegas da C.G.D., um no Porto, a outra em Lisboa), ofereceram-se também para colaborar. Este grande acontecimento que teve a presença de 250 antigos alunos, pessoal administrativo e professores, teve lugar em 2 de Abril de 2005 no Hotel Cristal da Praia da Vieira, também com momentos "recreativos e culturais"e um filme dos tempos remotos e actuais da Escola e alunos. Elaborei ainda um livrinho com as moradas obtidas e que totalizam para cima de 350 (c/moradas, telefones fixos/móveis e endereços electrónicos).
Para finalizar, gostaria de dizer que afinal depois da adaptação voltei a fazer novas amizades. Hoje sou eu que organizo os almoços de antigos empregados do B.N.U-Leiria. Pertenço também à Direcção do Coral. Organizo os passeios do Coral e tenho "montes" de amigos!
Também para "recordar" aqui abaixo deixo algumas das quadras que fiz para o tal convívio dos ...
40 Anos passados
Muitos nunca mais se viram...
Embora sempre lembrados
Na saudade que sentiram!

A Escola tinha um "livro negro"
Um arquitecto, o Director
Muitos de nós tinham medo
Do seu "porte" assustador...



Era uma turma unida
Um por todos, todos por um
E ter a missão, cumprida
Era "dever" de cada um

O Madail, de curso mudou
Foi para o Industrial
Num Engenheiro se tornou
Mas bom amigo, afinal

Lembro a Zita e a Isabel
Santana, Mino e Luis Ramos
Todos como num "cartel"
Pessoas que muito estimamos

Noutra turma fui ficar
Com Rosário, Etelvina, Jesus e Zeza
Um quinteto a organizar
Com muito encanto e beleza!

Havia os "craques" da turma
Se possível, Vinte e Um tiravam...
O Abel Mateus e a Rosário
Que em "despique" estudavam...

Uns para Lourenço Marques foram...
Outros para Portugal
Formaram-se depois "doutores"
Muitos de vós, afinal

Num encontro de estudantes
Por felicidade "Sonhei"!
Encontrar-nos como dantes
E nunca mais eu parei

Largos meses a pensar...
Em voltar-vos a encontrar
Eu quis, a lenda o diz:
Em Leiria, onde corre o Liz!

O mais difícil, passou...
Descobrir-vos, fazer lista...
Quem os "Amigos" encontrou
NÃO MAIS OS PERCA DE VISTA!











Num passeio do Coral a Leça da Palmeira
anos 90 (quando a maioria dos homens eram ainda colegas do Banco)
Esq. Cima: Carvalho Sousa, Carlos Sousa, Louro, Viriato, Joaquim Casal, Adriano Santos, Luis Guerra, João Loureiro, Victor Brites, Jaime Em baixo: Genialda, Emilia, Wilma, Dina, Manuela, Pieedade, Lurdes, Lucilia, Mª. Anjos, Júlia, Emilia Carvalho.
João Pinto, Elisa,Ana,( filha do Armando), Manuel Santos, Joaquim Narciso (maestro), Armando Fernandes e António Carvalho.


Num convívio dos colegas do BNU-Leiria em 1993.












E por fim, o Coral do qual faço parte desde o início, ou seja:  1987.
















segunda-feira, 21 de Maio de 2007

Pretende este Blog, contar vivências de África e inserir fotos, principalmente do Norte de Moçambique, Nacala e Nampula, locais da minha infância. Partilhar com os meus amigos da Escola Industrial e Comercial Neutel de Abreu de Nampula, a amizade e a alegria que aquele País nos proporcionou e que dura até aos nossos dias.

Pretende ainda contar o porquê de eu estar a viver em Leiria e de todo o percurso após o regresso a Portugal